A proposta é levar o aquecimento solar a 1,45 milhão de moradias do Programa. - Foto: Deltafrut/Flickr

A proposta é levar o aquecimento solar a 1,45 milhão de moradias do Programa. – Foto: Deltafrut/Flickr

Redação Ciclovivo

Em 2012, os 8,4 milhões de metros quadrados de coletores solares instalados no país geraram um total de 5.714 GWh de energia, volume que corresponde a 1,3% do consumo nacional, e pouco abaixo da energia elétrica necessária para abastecer o consumo anual de uma cidade como Brasília com 2,5 milhões de habitantes.

Esse montante produzido representa uma demanda de energia que deixou de exigir o acionamento de usinas hidrelétricas e termelétricas no horário de pico para aquecimento da água de banho. Outro benefício é preço mais competitivo, sem o impacto ambiental das fontes convencionais de geração de energia.

Mas, a economia proporcionada pelo uso aquecimento solar pode ser muito maior. É com esta visão que o DASOL (Departamento Nacional de Aquecimento Solar) da ABRAVA (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento) está propondo ao governo a ampliação do uso de aquecimento solar no Programa Minha Casa Minha Vida, o que significa explorar mais o potencial da energia solar térmica. A proposta é levar o aquecimento solar a 1,45 milhão de moradias do Programa.

Atualmente, a implantação do aquecimento solar no Programa Minha Casa Minha Vida é restrita às unidades unifamiliares que se enquadram na faixa de renda até R$ 1.600,00. Na avaliação do ABRAVA, enquanto estiver limitado a essa faixa de renda e excluído dos edifícios multifamiliares, o aquecimento solar beneficiará apenas 263 mil unidades do programa.

“Isso acontece apesar de a Portaria 325 do Ministério das Cidades, de sete de julho de 2011, estabelecer a meta de produção de 860 mil unidades habitacionais do Minha Casa Minha Vida até 2014 com tecnologia de aquecimento solar”, explica o presidente do Departamento de Energia Solar da ABRAVA, Carlos Artur Alencar.

De acordo com um estudo da Empresa de Pesquisa Energética – EPE, se os Sistemas de Aquecimento Solar (SAS) fossem instalados em 100% dos dois milhões de moradias previstas no Programa Minha Casa Minha Vida, o Brasil poderia economizar até 741 GWh por ano – economia suficiente para abastecer uma cidade como Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, com população de 333 mil habitantes, segundo cálculos da ABRAVA.

Além de poupar a energia gerada pelas hidrelétricas e termelétricas, os SAS representam uma economia para o consumidor que pode chegar a R$ 17,10/mês por domicílio, dependendo da região do país, segundo o estudo da EPE. A redução média do consumo para a família seria de 20%, pouco mais de 30 kWh mensais por domicílio.

Sem falar nos benefícios ambientais. Exemplo mundial, a matriz de energia elétrica brasileira depende fortemente das usinas hidrelétricas, ainda que conte com mais de 80% da energia proveniente de fontes renováveis. Mas quando o nível dos reservatórios baixa, indicando risco de desabastecimento, são acionadas as usinas termelétricas, uma energia mais cara e poluente. Para se ter ideia, somente nos três primeiros meses de 2013, as usinas termelétricas geraram cerca de 28 mil GWh, mais de 20% do total gerado no país.