INSTITUTO CARBONOBRASIL

A  umidade é uma consequência do aquecimento global. Foto: Ian Britton / FreeFoto.com

A umidade é uma consequência do aquecimento global. Foto: Ian Britton / FreeFoto.com

Quatro dos cinco anos mais úmidos já registrados no Reino Unido aconteceram nos últimos doze anos, sendo que em 2012 o total de chuvas chegou a 1330,7mm, apenas 6,6 mm a menos do que o recorde registrado em 2000.

Segundo pesquisadores do serviço meteorológico britânico (Met Office) e de climatologistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), toda essa umidade é uma consequência do aquecimento global.

“A intensificação das chuvas está alinhada com as expectativas que temos das mudanças climáticas”, afirmou Gabriele Hegerl, climatologista da Universidade de Edimburgo e membro do IPCC, em entrevista ao portal Euroactiv.

Para o Met Office, não é apenas a quantidade de chuva que preocupa, mas também a maior frequência de eventos extremos de precipitação.

“A tendência de mais eventos climáticos extremos é vista em todo o planeta e as chuvas torrenciais estão ficando comuns também no Reino Unido”, afirmou Julia Slingo, cientista chefe do Met Office.

A entidade destaca que mais pesquisas precisam ser feitas para que sejam entendidas as totais consequências e causas do aumento da precipitação.

Kevin Trenberth, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos Estados Unidos (NCAR), ressalta que as chuvas intensas não são um “privilégio” britânico.

“O padrão esperado é que as altas latitudes, incluindo todo o norte da Europa e da América, apresentem daqui para frente um aumento crescente na precipitação. Está claro que as mudanças climáticas são um componente decisivo nesse sentido.”

Para Trenberth, o excesso de umidade recente não é inesperado, já que há pelo menos duas décadas climatologistas apontam que isso iria acontecer. Segundo o cientista, o problema é que os governos não ouviram e ainda seguem se negando a agir.

“Aparentemente a política que está sendo adotada é a de ‘aguente firme e sofra as consequências’. Não existe planejamento para mitigar os eventos extremos ou para reduzir a probabilidade de que aconteçam. Isto é muito desapontador”, concluiu.

About The Author

Thiago Itacaramby é jornalista diplomado e especialista em Marketing. Possui experiências profissionais nos setores público e privado. Atua em órgãos não governamentais ligados ao meio ambiente e possui conhecimentos na elaboração de projetos. Estudante de Gestão Ambiental no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT).

Related Posts