Propriedade de Alex da Silva foi visitada em Dia de Campo no ano passado. Foto: Sebastião Pedro

Propriedade de Alex da Silva foi visitada em Dia de Campo no ano passado. Foto: Sebastião Pedro

Por Breno Lobato/Embrapa

Uma iniciativa da Embrapa Cerrados (Planaltina, DF) em Ipameri (GO), com o apoio da prefeitura local, está trazendo novo alento a produtores familiares ao introduzir tecnologias adaptadas que melhoram o desempenho produtivo das propriedades rurais, agregando valor e reduzindo custos. Coordenada pelo pesquisador João Kluthcouski (o João K), a proposta, batizada de Pequena Propriedade Produtiva e Sustentável, começou a ser implantada em 2014.

A ideia é especializar cerca de 10 pequenas fazendas no uso de tecnologias como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), os sistemas que integram a produção de fruteiras, hortaliças e grãos especiais, o aumento da eficiência produtiva em leite e o consórcio milho-capim braquiária, tornando o município goiano referência em produção sustentável em pequenas propriedades.

“A pequena propriedade ainda é muito negligenciada no Brasil. Faltam opções que agreguem valor a ela e permitam que o pequeno produtor permaneça na terra. E a Embrapa tem as tecnologias necessárias”, afirma João K. O pesquisador lembra que dos 4,2 milhões de estabelecimentos rurais do País, 1,8 milhões não têm condições de adquirir sequer um trator. “Esse grupo inclui pequenos agricultores que produzem os itens da cesta básica. Eles são muito importantes para a sociedade e nós temos opções para atendê-los adequadamente”, observa.

Ipameri está entre as 10 maiores bacias leiteiras de Goiás e metade das fazendas do município são pequenas propriedades. A prefeitura tem fornecido assistência técnica voltada à produção de leite a 70 produtores familiares e assentados de reforma agrária, levando orientações agronômicas e veterinárias, como sobre adubação de pasto e confecção de silagem para aumentar a eficiência produtiva. “É como acender a luz de um cômodo escuro. O produtor passa a saber o que está fazendo”, explica Renato Carneiro, secretário municipal de Agronegócio.

João K explica que a ILPF também pode ser adotada pelo produtor de leite. “O componente florestal serve como quebra-vento, evitando que o pasto seque prematuramente, além de proporcionar conforto térmico aos animais e uma poupança para o produtor, que depois pode vender a madeira”, explica o pesquisador.

Entre as propriedades leiteiras que estão sendo acompanhadas está a da família de Alex da Silva. Após uma visita de João K, ele decidiu redesenhar o sistema de produção da fazenda de 4,5 hectares. Além de recuperar e reformar as pastagens com o cultivo consorciado de capim braquiária com guandu e milho, Alex implantou diferentes arranjos de eucalipto, com renques de uma a quatro fileiras de árvores.

Do preparo do solo aos cultivos, tudo foi feito com poucos recursos. “Usamos um subsolador emprestado, só paguei as horas do operador. Medimos as linhas (de plantio) com uma trena e marcamos com papel higiênico”, lembra o produtor. Hoje, as ruas formadas pelos renques de árvores já são visíveis. Animado, Alex deve plantar também milho, sorgo e girassol.

Em 2015, a propriedade organizou um dia de campo que recebeu cerca de 200 participantes, muitos deles agricultores familiares de Ipameri e municípios vizinhos. “Mostramos que o pequeno produtor também tem condições de fazer ILPF. Dificuldades existem, mas ele precisa ter iniciativa, porque tecnologia não falta”, diz o produtor, que neste ano já conseguiu comprar um trator.

Mais opções

João K cita ainda o caso de um produtor de leite que está obtendo sucesso com a adoção de algumas tecnologias que aumentam a eficiência produtiva, como a melhoria do processo de ordenha, a adubação da pastagem e o pasto rotacionado. “Ele era empregado de uma fazenda e adquiriu um lote de terra de dois alqueires (pouco mais de 9 hectares). Hoje, produz 400 litros de leite por dia e já tem até camionete a diesel”, conta João K.

Além da ILPF e das tecnologias que melhoram a eficiência produtiva de leite, o pesquisador sugere alternativas que podem alavancar a agricultura familiar em Ipameri, como a fruticultura, a exemplo do maracujá, exitoso entre agricultores do Distrito Federal e Entorno; os sistemas de policultivos; pseudocereais como o amaranto e a quinoa; a mandioca industrial e de mesa; a soja para consumo humano; e feijões especiais.

“Temos na mão um grande potencial para engrandecer esse grupo de produtores. Mas o ingrediente principal é a coragem do produtor em adotar as tecnologias”, garante o pesquisador, que agora procura uma fazenda para se especializar em consórcio milho-capim braquiária. “Melhorar o desempenho da pequena propriedade constitui uma das maiores revoluções na agropecuária brasileira”, finaliza.

Do preparo do solo aos plantios, tudo foi feito com poucos recursos. “Usamos um subsolador emprestado, só paguei as horas do operador. Medimos as linhas (de plantio) com uma trena e marcamos com papel higiênico”, lembra o produtor. Hoje, as ruas formadas pelos renques de árvores já são visíveis. Animado, Alex deve plantar também milho, sorgo e girassol.

Em 2015, a propriedade organizou um dia de campo que recebeu cerca de 200 pessoas, muitas delas agricultores familiares de Ipameri e municípios vizinhos. “Mostramos que o pequeno produtor também tem condições de fazer ILPF. Dificuldades existem, mas ele precisa ter iniciativa, porque tecnologia não falta”, diz o produtor, que neste ano já conseguiu comprar um trator.