Baleias em praias catarinenses. Foto: Paulo Flores.

Baleias em praias catarinenses. Foto: Paulo Flores.

Por Luciana M. de P. Moreira/ICMBios
Pesquisadores fotografam baleias em praias catarinenses. Foto: Paulo Flores.

Pesquisadores fotografam baleias em praias catarinenses. Foto: Paulo Flores.

Com o apoio do Grupamento de Policiamento Ostensivo Marítimo da Polícia Militar Ambiental de Laguna, especialistas do Curso de Engenharia de Pesca da UDESC, do Projeto Baleia Franca/Brasil (PBF) e do Centro de Mamíferos Aquáticos e APA da Baleia Franca, ambos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), monitoraram ontem (terça, 3) grupos de baleias-francas, avistadas nas praias da Ribanceira e Praia do Porto, em Imbituba (SC).

O objetivo dessa ação integrada foi acompanhar indivíduos que se encontravam com pedaços de redes presos ao corpo. As informações foram inicialmente repassadas por comerciantes e moradores locais para a APA da Baleia Franca, acionando-se o Protocolo de Encalhes da APA, que é uma unidade de conservação federal.

Com o processamento das informações colhidas, executou-se uma operação integrada com o objetivo de averiguar, com monitoramento embarcado, utilizando-se a Lancha Patrulha Ambiental SEAP-01, da 3ª Companhia de Polícia Militar Ambiental de Laguna.

38 baleias

Foram localizadas 38 baleias entre as praias de Ibiraquera e Porto, em Imbituba, sendo a maioria pares de mãe e filhote. Foi constatada a presença de rede em dois indivíduos adultos. Os animais apresentavam comportamento normal, aspecto corporal saudável, sem sinais de ferimentos externos, e não tinham seu deslocamento comprometido, não sendo necessário qualquer procedimento para retirada das mesmas.

Por constatações em anos anteriores na região da APA, as redes acabam se desprendendo dos animais. Além disso, o procedimento para retirada é extremamente arriscado, só devendo ser realizado após analise do estado físico dos animais e do grau de enredamento, por pessoal treinado e devidamente equipado. Está em andamento a formação de um grupo especializado para este tipo de atendimento.

Baleias em praias catarinenses. Foto: Paulo Flores.

Baleias em praias catarinenses. Foto: Paulo Flores.

A chefe da APA da Baleia Franca, Maria Elizabeth Carvalho da Rocha, ressalta que “em casos de enredamento é ainda mais importante que as pessoas respeitem a legislação e não se aproximem dos animais para evitar molestamento e um gasto energético adicional. A população pode auxiliar enviando fotos dos registros, possibilitando a identificação da espécie e documentação do caso, para que possa ser avaliado, desde que respeitadas as distâncias.”

O comandante da 3ª Companhia do Batalhão de Polícia Militar Ambiental, Major Jefer Francisco Fernandes considerou de suma importância a execução de operações integradas dessa natureza com o objetivo de identificar, proteger e preservar essa espécie de cetáceo costa brasileira. “A população e os navegantes devem respeitar as normativas de proteção dessa espécie e, em caso de ocorrências de enredamento, encalhe e maus tratos contra esses animais, deverão imediatamente comunicar a Polícia Militar Ambiental para a pronta intervenção e acionamento do Protocolo de Encalhes da APA da Baleia Franca”, afirmou.

As baleias-francas migram anualmente entre áreas de alimentação e reprodução. Entre julho e novembro, com pico de ocorrência em setembro, a espécie vem para o Brasil, especialmente a região sul, para reprodução. A principal área de ocorrência está no litoral centro-sul de Santa Catarina, no trecho protegido pela Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca.