Ricardo Baitelo. Crédito: André Pinnola/Funbio

Ricardo Baitelo. Crédito: André Pinnola/Funbio

Fabíola Ortiz/O ECO

O investimento em energias alternativas por parte de grandes empresas que utilizam o petróleo como seu carro-chefe é uma estratégia econômica de diversificar o seu portfólio e “dar uma aparência mais sustentável”, disse esta semana a ((o))eco o coordenador da campanha de energia do Greenpeace, Ricardo Baitelo.

Segundo ele, “se a gente analisar o quanto as empresas investem em alternativas descobre que é comparativamente pouco em relação ao que destinam à exploração de petróleo. Esta é uma forma de dar uma cara mais sustentável, embora há empresas que já atentem para a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa”.

De acordo com o Greenpeace, cerca de 80% da oferta de energia primária hoje no mundo advém de combustíveis fósseis e 7% de energia nuclear. O restante, a fatia das fontes de energia renováveis, representa 13% da produção mundial de energia primária. Em geração de energia elétrica, a parcela das renováveis sobe para 18%.

Para Baitelo, é possível investir em energias alternativas para suprir a demanda energética. “Na chamada revolução energética é possível fazer uma transição, não é da noite para o dia e não é uma resposta simples. É múltipla e precisa de um plano de transição”, disse ao defender as fontes eólica e solar.

Criação de empregos no setor de alternativas

Baitelo destaca que a solar é a fonte que mais cresce hoje no Brasil, cerca de 50% ao ano. O histórico mostra que a escala reduz os seus custos. À medida que o uso da energia solar dobra, é possível reduzir em 20% o seu preço. “Isto significa que o preço da energia solar cai 10% ao ano e, em 10 anos, poderemos ter uma energia solar acessível”, diz.

Países como Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Japão já investem há um bom tempo na solar, mas é no Brasil e no continente africano que ainda existe um grande potencial para essa tecnologia. “No Brasil, a solar tem um grande potencial. Em segundo lugar está a eólica e, em seguida, a biomassa a partir de resíduos agrícolas, industriais e florestais. Existe ainda uma fonte pouco falada, a energia oceânica”, diz Baitelo.

Segundo ele, pela grande extensão da costa brasileira, o país pode aproveitar o movimento mecânico das ondas do mar e transformá-lo em energia. “Esta ainda é a mais cara de todas, mas já existem pesquisas no Brasil sobre isso. Não podemos apenas confiar na chuva e no vento que são inconstantes para gerar energia. Não basta ser limpa, a fonte tem que ser constante”.

A visão da WWF

No estudo publicado em 2012, “Além de grandes hidrelétricas: políticas para fontes renováveis de energia elétrica no Brasil”, a WWF (World Wildlife Fund) garante que o país tem capacidade para aumentar em, pelo menos, 40% a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis alternativas, sobretudo se investir na geração de energia eólica e biomassa.

No caso da eletricidade gerada a partir do vento, por exemplo, a WWF revela que o Brasil é capaz de produzir 300 milhões de quilowatts por ano (o equivalente a mais de usinas de Itaipu). Atualmente, não produzimos nem a metade, 114 milhões de quilowatts/ano.

Na Biomassa, o potencial de geração de eletricidade é calculado a partir da disponibilidade de bagaço de cana-de-açúcar, principal fonte desta modalidade no país. Existem 440 usinas de cana-de-açúcar em atividade no Brasil, mas a maioria delas produz energia somente para suprir as necessidades energéticas das próprias unidades de processamento do setor sucroalcooleiro. Apenas 100 usinas produzem eletricidade para o sistema elétrico nacional. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (UNICA), o potencial de geração de eletricidade dessa fonte é de 1,5 milhão de quilowatts/ano. Segundo o Instituto Acende Brasil, os canaviais existentes no Brasil poderiam gerar cerca de 14 milhões de quilowatts/ano.

Além da cana-de-açúcar, os resíduos sólidos também têm grande potencial, por meio de energia retirada do biogás. A previsão é que as tecnologias de gaseificação de biomassa tornem-se competitivas apenas em 2020, segundo o Plano Nacional de Energia 2030, elaborado pelo Conselho Nacional de Política Energética. O plano prevê a entrada em operação de sistemas de gaseificação de biomassa no setor sucroalcooleiro que gerarão 5% da energia do país. Já a previsão para 2030 é que essa participação cresça para 13%.

Ainda segundo a WWF, a energia solar pode produzir o dobro da energia que Itaipu usando uma área equivalente ao lago desta usina hidrelétrica. Se o espelho do lago de Itaipu fosse totalmente coberto com painéis fotovoltaicos seria possível produzir 183 milhões de quilowatts/ano contra cerca de 90 milhões que Itaipu produziu em 2011.

Por fim, o balanço econômico está mudando em favor das energias alternativas.É cada vez mais caro produzir energia hidrelétrica no Brasil, pois os melhores pontos para construir usinas já foram usados. Em contrapartida, a medida que a tecnologia avança, o preço das alternativas cai.

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