Redação O Eco

No Brasil, a temporada de baleias poderá ter recorde de filhotes. A boa notícia vem do Projeto Baleia Jubarte, onde os seus pesquisadores estimam que podem nascer, aproximadamente, 2 mil filhotes de Megaptera novaeangliae ao longo da costa este ano. A informação dá um alívio e esperança, tendo em vista a morte de 40 baleias jubarte, este ano, em águas brasileiras. Mesmo com esse número de mortes, o de nascimento é superior, indicando que a população continuará se recuperando dos estragos feitos pela caça comercial.

A população da baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) atualmente é estimada em 17 mil indivíduos, sendo metade disso fêmeas, alcançando o número de 8.500. Entretanto, os especialistas levam em conta que nem toda fêmea estará em idade fértil nesse período, mas metade delas provavelmente sim, ou seja, um total de 4.250 jubartes em estado reprodutivo. Dessas, apenas a metade deverão ter filhotes:

“geralmente podemos esperar um ano com filhote e um ano sem filhote. Desta forma, metade das fêmeas em idade reprodutiva teria filhotes num determinado ano. Isso daria 2.125 fêmeas se reproduzindo numa população de 17 mil jubartes”, explica Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do Projeto Baleia Jubarte.

Ainda segundo Marcondes, o número provável de filhotes estimados para esse ano (2.125) corresponde a 12,5% da população atualmente estimada. Esse dado bate com a taxa de crescimento próxima de 11% ao ano calculado pelos pesquisadores do projeto.

Volta por cima

A Jubarte é migratória por excelência e encontrada em todos os oceanos do mundo. Ela migra no verão, se dirigindo aos polos para se alimentar e no inverno vem para águas tropicais e subtropicais para acasalamento e reprodução. Seu local de reprodução acontece por toda a extensão da costa nordeste do Brasil, tendo como local favorito o Arquipélago de Abrolhos, considerado o maior ambiente reprodutivo do Atlântico Sul.

Retirada há 2 anos da lista vermelha de espécies ameaçadas, a Jubarte já esteve muito próxima de ser exterminada da costa brasileira. Em 1980, havia apenas 500 exemplares da espécie, o que motivou a proibição definitiva da caça. Após quase 30 anos não sendo perturbada, a espécie voltou a se recompor: já estava em 9 mil indivíduos em 2008 e agora soltou para 17 mil. Atualmente, a espécie está reclassificada como “quase ameaçada”.

No Brasil, a caça de cetáceos é proibido e desde 2000 existe uma proposta tramitando dentro da Comissão Internacional Baleeira (CIB) para a criação do Santuário das Baleias do Atlântico Sul, que estenderia essa proibição para toda a porção do Oceano Atlântico entre o litoral brasileiro, uruguaio, argentino e o continente africano. O Brasil faz parte de uma campanha internacional para a formação desse Santuário  junto com  Argentina, Uruguai, África do Sul e Gabão. A próxima reunião da Comissão Internacional Baleeira (CIB) acontecerá entre os dias 20 e 28 de outubro, em Portoroz, na Eslovênia.

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