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Queimada na região de Itiquira. Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT

Fernanda Nazário/Rose Domingues/SEMA-MT

Jogar um toco de cigarro aceso em uma mata é tão prejudicial quanto atear fogo no lixo acumulado no quintal de casa. Para alguns, essas atitudes são vistas como inofensivas, mas não são. O resultado é desastroso e quase irreversível para a biodiversidade.

Nesse período do ano, em há muito vento e clima seco, o uso indiscriminado do fogo pode causar sérios prejuízos à flora, especialmente às espécies da floresta (o que inclui a mata, mato, bosque ou selva), que não são adaptadas às altas temperaturas.

Área devastada no Nortão de MT. Foto: Depol/Sinop-PJC

Área devastada no Nortão de MT. Foto: Depol/Sinop-PJC

Conforme o coordenador da Conservação e Restauração de Ecossistemas da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Elton Antonio Silveira, ao contrario da vegetação do cerrado, a floresta não possui nenhuma planta resistente, então, o fogo consome tudo que estiver ao alcance e isso impede que a natureza floresça e se reproduza. Outra consequência: as espécies arbóreas (árvore de grande porte) morrem dando lugar a espécies herbáceas (gramínea), conhecidas como capim ou relva.

“Com isso, a floresta fica desestruturada, o verde que antes predominava passa a ser substituído pelo cipó, espinho e arbusto. Tudo isso é resultado da ganância do homem que na maioria das vezes ateia fogo para penetrar a floresta para extrair madeira ilegal.”

Ao destruir a floresta, também se polui as nascentes, águas subterrâneas e rios por meio das cinzas. O fogo compromete a qualidade do ar e a saúde humana, provocando vários tipos de doenças, principalmente respiratórias. Diferente da floresta, a estrutura do cerrado é composta por algumas plantas adeptas à queimada, como, a Curatella americana (lixeira) que tem as folhas duras e ásperas. Mas Elton alerta que isso não significa que o fogo é permitido nesse ambiente.

Já na fauna os riscos também são devastadores, é a vida dos animais que entra em cena. De acordo com os médicos veterinários da Sema, Christiano Justino, Danny Franciele Moraes e Léa Cintia Waksman, ao se deparar com o fogo, o animal entra em desespero e seu primeiro pensamento é de fuga, mas, caso ele tenha filhote ou um ninho, os profissionais revelam que esse pensamento é abalado levando ele e sua família a permanecerem no local, acarretando assim para queimaduras de primeiro a terceiro grau, ou intoxicação respiratória e podendo inclusive até chegar a óbito.

Caso consigam fugir e estejam na área rural, os médicos veterinários explicam que esses animais vão para outros ambientes que não foram atingidos pela queimada. E nas proximidades da zona urbana, quando não conseguem localizar uma área segura para ficar, eventualmente eles podem adentrar as residências ou ir para a beira das estradas sob uma grande chance de serem atropelados.

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Foto: Assessoria/Sema

Período proibitivo da queimada

O período proibitivo para as queimadas em Mato Grosso iniciou no dia 15 de julho e segue até 15 de setembro, podendo ser prorrogado em razão das condições climáticas, conforme Decreto nº 191, publicado no Diário Oficial de Mato Grosso do dia 14 deste mês. Nas áreas rurais, utilizar fogo para limpeza e manejo nas áreas é crime passível de 6 meses a 4 anos de prisão, com autuações que podem variar entre R$ 7,5 mil ou R$ 1 mil (pastagem e agricultura) por hectare.

Denuncie

Nas áreas urbanas o uso do fogo para limpeza do quintal é crime o ano inteiro. As denúncias podem ser feitas na ouvidoria da Sema: 0800 65 3838, no 193 do Corpo de Bombeiros ou diretamente nas secretarias municipais de Meio Ambiente.

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