A recuperação de cerca de 7 mil hectares das nascentes dos principais rios que compõem o 'Pacto das Cabeceiras' do Pantanal necessita de pelo menos 11 mil mudas e envolverá as comunidades locais. Foto: Visit Brasil (Flick)

A recuperação de cerca de 7 mil hectares das nascentes dos principais rios que compõem o ‘Pacto das Cabeceiras’ do Pantanal necessita de pelo menos 11 mil mudas e envolverá as comunidades locais. Foto: Visit Brasil (Flick)

Fernanda Nazário/SEMA-MT

Um estudo realizado nas cabeceiras dos rios Paraguai, Sepotuba, Jauru e Cabaçal aponta que 28% dos 23 mil hectares dessas nascentes precisam urgentemente de intervenção para recuperação florestal. O levantamento apresentado nesta quinta-feira (6) pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) integra um conjunto de 34 ações de desenvolvimento sustentável do ‘Pacto das Cabeceiras’, assinado em junho pelo Governo do Estado, Sema e prefeitos de 25 municípios que abrangem as cabeceiras do Pantanal, na bacia hidrográfica do Alto Paraguai. Também integram a iniciativa entidades civis e outras sete secretarias de Estado.

Para a secretária de Estado de Meio Ambiente, Ana Luiza Peterlini, após a identificação da problemática o próximo passo é elaborar um plano de trabalho, em que a Sema e a equipe do pacto traçarão as ações prioritárias.

“A partir de agora vamos ter mais clareza de onde começar o trabalho de recuperação que sem dúvida deverá incluir o envolvimento da comunidade”. Outra etapa importante destacada pela secretária é a viabilização de recursos para a execução do projeto. “O ideal é que a gente consiga captar o recurso adequado para colocar a ação de reflorestamento em prática o mais breve possível.”

Como proposta para minimizar o impacto financeiro no trabalho de reflorestamento, o Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), empresa executora do estudo, sugere a criação de uma cadeia produtiva, na qual os 25 municípios que compõem o ‘Pacto das Cabeceiras’ atuarão como peças chaves para a restauração das nascentes.

De acordo com a pesquisa, é preciso 17 viveiros trabalhando a todo vapor para alcançar a produção de 11 mil de mudas ideais para a recuperação ecológica das quatro nascentes. E, segundo o coordenador geral do estudo, Severino Ribeiro, essa é uma oportunidade para ter um mercado florestal de base comunitária.

Economia sustentável

A exemplo dessa lógica socioeconômica, ele cita o sul da Bahia, Pernambuco e Alagoas, que já trabalham nessa perspectiva com três modalidades de empregabilidade: a coleta de sementes, que segundo o estudo rende de R$ 800 a R$ 1,2 mil por mês; a produção da muda; e a execução da restauração. Para avaliar a eficácia dessa proposta em Mato Grosso, a Cepan monstra o rendimento de uma associação de produtores de mudas florestais com fins de florestamento do nordeste.

Composta por 20 viveiristas, a associação gera em torno de 60 a 70 empregos diretos na produção de mudas para ações de recuperação de área degradada. “Se pensarmos assim vamos trabalhar com um grande potencial gerador de emprego e renda para os produtores rurais dessas localidades de Mato Grosso”. Severino explica que isso não resolverá o problema de emprego e renda do Estado, mas os municípios inseridos dentro da área do pacto serão os principais beneficiados.

O coordenador da pesquisa acredita que envolver a comunidade no processo de recuperação ecológica é importante porque, de acordo com o resultado da análise, os locais mais degradados estão nas Áreas de Preservação Permanente (APPs) e, para ele, essa situação está assim porque 99% da ação é humana. Mas Severino avalia que esse fato não precisa ser demonizado.

“Até porque vai ser com a ajuda do homem que o caso poderá ser revertido. Assim os ribeirinhos vão descobrir que ao preservar as nascentes eles vão conservar os recursos hídricos e ainda vão movimentar a economia local”.