Redação Ecodesenvolvimento

O que começou como um hobby se tornou em um negócio para os quatro amigos Luiz Eduardo Rocha, Henrique Meyrelles, Hugo Galindo e Victor Lanari. Em menos de um ano, a marca de óculos criada por eles, a Zerezes, já alcança voos significativos, como a participação na mostra de ecodesign carioca Rio+Design, em Milão, na Itália.

Os óculos começaram a ser pensados em 2011, ainda no curso de Design de produtos, na PUC-Rio, onde os amigos se conheceram. Eles são feitos basicamente de madeira, mas não de qualquer uma. A matéria-prima do produto é adquirida nas ruas, principalmente em canteiros de obras de construção.

Luiz Eduardo, Henrique, Hugo e Victor. Os quatro amigos que iniciaram o projeto. Fotos: divulgação

Luiz Eduardo, Henrique, Hugo e Victor. Os quatro amigos que iniciaram o projeto. Fotos: divulgação

“Queríamos reinserir as madeiras em vez de extraí-las. E acabou culminando com um momento de alta da construção civil, onde muitas obras estão sendo realizadas, principalmente no centro e na zona portuária do Rio. Vimos que havia muita madeira disponível, que eram descartadas e que não tinham custo para gente. Transformamos isso em uma oportunidade de aproveitá-las como matéria-prima para os nossos óculos”, relembrou Lanari.

O nome Zerezes veio da palavra zerê,
adjetivo para caolho, zarolho, estrábico.

Segundo os designers, a aceitação do produto no mercado está sendo positiva, não apenas pelo fato dos óculos serem produzidos com material não convencional, mas principalmente pela a história que cada um carrega. Não é a toa que cada peça tem as hastes gravadas a laser com o nome do local onde a madeira foi resgatada. “Por exemplo, fizemos uma série de sete óculos feitos de Peroba Rosa que foi encontrada numa caçamba na Rua Rosa Saião. Na sua haste vem escrito ‘série Rosa Saião’ e o seu número dentro da quantidade produzida (ex. 01/07, 02/07 e por aí vai)”, explicou Lanari.

zerezes-serie

A Zerezes foi apresentada oficialmente na Conferência Rio+20, em junho de 2012, na exposição Rio dos 20, onde 20 designers brasileiros apresentavam ao público projetos de cunho ambientalmente responsáveis. Para os designers, esse foi sem dúvidas um início significativo. “Começar já em um evento desse porte foi muito bom, mas de muita responsabilidade também”, pontuou o designer.

Fabricados na oficina Fibra Design no Rio, com parceria da Materia Brasil, os óculos Zerezes são comercializados em algumas revendedoras espalhadas pelo Brasil como a Farm, Novo Desenho, Coletor, Monica Pondé e Sala de Estar. Mas, de acordo com os amigos, as peças são vendidas também de forma informal por e-mail, assim como, em feiras e eventos que eles participam esporadicamente.

capa-zerezes

Os valores das peças variam de 300 a 400 reais. Segundo Lanari, há pessoas que acham a quantia boa, mas outras acham que pelo fato do produto reutilizar materiais, ele deveria ser mais em conta. O designer justifica o preço ao fato da produção ser artesanal. “A confecção dá uma trabalheira. Cada óculos é feito manualmente e leva bastante tempo para ficar com um acabamento de primeira. Quem acha o produto caro tem que entender que nossa produção é pequena, comparada às grandes marcas de óculos”.

confeccao-zerezes

Os óculos são feitos a partir da prensagem de nove lâminas de diferentes tipos de madeira, e depois recebem uma fina camada adesiva de base vegetal para impermeabilizá-los. De acordo com Lanari, a cada dia novas técnicas e materiais são testados e aperfeiçoados. A ideia é ir além. “Vemos os óculos como um suporte para explorar novos materiais e formas. A todo momento pensamos em outros projetos”.

 

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