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Funcionários do Instituto Brasileiro Mundo Verde (Ibemo) estariam agindo como fiscais ambientais em Mato Grosso

Yuri Ramires/Diário de Cuiabá

A Polícia Civil de Santo Antônio do Leverger (32 km de Cuiabá) deve investigar a atuação do Instituto Brasileiro Mundo Verde (Ibemo) no município. A denúncia, que já rendeu registros de B.O., é de que os funcionários do instituto estariam atuando de maneira indevida e desenvolvendo funções que não lhes cabem.

Ao Diário, o delegado Fernando Fleury informou que ontem uma pessoa buscou a delegacia para registrar um boletim de ocorrência e ainda listou algumas outras pessoas que teriam sido vítimas da ação dos membros da Ibemo.

Em uma denúncia, eles citam que supostos funcionários do instituto chegam às casas de pescadores e ribeirinhos e acabam apreendendo pescados que seriam irregulares. Entretanto, não cabe a eles esse tipo de ação.

“A pessoa que buscou a delegacia contou que aconteceu isso; que a equipe chegou à propriedade, fez uma vistoria e, por fim, apreendeu alguns pescados”, disse o delegado.

Os membros da Ibemo estariam alegando que estão autorizados a agir como fiscais. Entretanto, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) informou que desconhece essa informação e que não trabalha em parceria com o Ibemo em ações de fiscalização.

O major Fagner Nascimento, superintendente de Fiscalização da Sema, informou que a polícia dará continuidade às investigações para saber se as denúncias serão comprovadas ou não.

“De forma alguma uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) ou Organização Não Governamental (ONG) pode atuar dessa maneira, eles não possuem poder legal para isso”, esclareceu o major.

O órgão já havia recebido a denúncia. Segundo o major, ele tomou conhecimento da situação na última terça-feira (09).

Agora, o delegado Fleury deve buscar as pessoas citadas como possíveis vítimas para saber o que aconteceu, bem como atestar a veracidade dos fatos. Caso se configure crime, os envolvidos podem responder por usurpação de função.

A reportagem conversou com o presidente do Ibemo, Geovanny Alexsandro de Souza Silvério. Ele afirmou que já tinha conhecimento de que essas denúncias estavam acontecendo, entretanto, destaca que se trata de uma inverdade.

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“As pessoas que estão denunciando isso estão descontentes com a nossa atuação, que é feita em conjunto com a Polícia Ambiental. Fazemos um trabalho educacional e social”, disse.

Conforme Geovanny, o trabalho do instituto é sério e realizado em outros três estados, sendo eles: Mato Grosso do Sul, Goiás e no Pará.

Ele disse ainda que a investigação deve ser feita e que, se for constatado uma conduta indevida nos agentes do instituto, pode ser dada como certa a exoneração dos envolvidos, inclusive com publicação no Diário Oficial.