Semana da água

Deságue do córrego 8 de Abril, no rio Cuiabá, córrego transformado em esgoto. Foto: Davi Valle

Deságue do córrego 8 de Abril, no rio Cuiabá, córrego transformado em esgoto. Foto: Davi Valle

Em Cuiabá, assim como em tantas outras cidades do Brasil, a rede de esgoto é precária e ineficiente. E ainda que cobrem as taxas referentes a esse serviço, a maior parte do esgoto da cidade é jogado sem tratamento na natureza.

Por Daniel Valle/Ecopensar.com – fotos: Davi Valle

Neste último domingo 22 comemorou-se o Dia Internacional da Água, dia nomeado pela ONU (Organização das Nações Unidas) para reflexões sobre o cuidado e preservação deste elemento vital ao nosso planeta.

Por isso, o Ecopensar traz a série de reportagens focadas na preservação dos rios e outros mananciais através do tratamento de esgoto que é todo despejado, praticamente sem nenhum cuidado na natureza. E o pior, é que ainda pagamos por isso!

Tomamos Cuiabá, capital de Mato Grosso e sede deste portal de notícias, como exemplo do que ainda acontece na maioria das cidades brasileiras, e também pelo mundo.

Todo o mês você recebe a conta de água que tem inclusa a tarifa de esgoto, que aqui representa pouco mais de 45% do total da conta. Estimasse que nessa tarifa de esgoto estejam inseridas a coleta, manutenção da rede e tratamento para então ser devolvido a natureza. Sim devolvido, pois o esgoto é na verdade mais de 95% água que foi utilizada e poluída, e o restante são os sólidos poluentes.

Porém, assim como diversos outros serviços públicos (terceirizados ou não), pagamos por algo que em suma não acontece.

• A rede de esgoto não alcança todas as unidades habitacionais ou comerciais da cidade;

• Aonde existe rede de esgoto também há falta de manutenção e o resultado disso são os diversos pontos de esgoto correndo a céu aberto;

Inclusive ao lado da estação de tratamento de águas e Museu das Águas localizado a Av. São Sebastião, Centro-Norte. Me pergunto se eles não veem ou não sentem o cheiro daquilo. Foto: Davi Valle

Inclusive ao lado da estação de tratamento de águas e Museu das Águas localizado a Av. São Sebastião, Centro-Norte. Me pergunto se eles não veem ou não sentem o cheiro daquilo. Foto: Davi Valle

O tratamento de esgoto só atinge 27% de todo o esgoto coletado. Ou seja, 73% do serviço que deveria acontecer e que pagamos, simplesmente não acontece. Conforme informações constantes no relatório anual dos serviços prestados pela CAB Cuiabá, elaborado pela Agência Municipal de Regulação de Água e Esgotamento Sanitário de Cuiabá (Amaes);

Lançamento direto de esgoto em córrego. Foto: Davi Valle

Lançamento direto de esgoto em córrego. Foto: Davi Valle

• Ressaltamos que estes números somente se referem ao esgoto coletado, ou seja, ainda existem as residências e comércios que possuem fossas individuais que em sua maioria são mal construídas, não obedecendo as normas da ABNT, e acabam vazando o esgoto para o solo e contaminando o lençol freático, ou ainda, os casos em que são canalizados diretamente para os rios e outros mananciais próximos.

• E por fim, em toda a cidade foram feitas ligações irregulares das saídas de esgoto das habitações/comércios na rede de captação de águas pluviais, que acabou se transformando em rede de esgoto.

Um triste exemplo disto é o córrego Mãe Bonifácia, que corta o principal parque urbano da capital e que possui suas águas completamente poluídas, por todos os exemplos acima citados, exalando o mau cheiro perceptível aos mais de 8 mil habitantes que o frequentam todo o fim de semana.

Córrego que atravessa parque com o mesmo nome, é na verdade um esgoto corrente, pois recebe sem tratamento, todo o esgoto de dois bairros por onde passa.

Córrego que atravessa parque com o mesmo nome, é na verdade um esgoto corrente, pois recebe sem tratamento, todo o esgoto de dois bairros por onde passa.

Além de uma questão de preservação de águas (mananciais e lençol freático), o tratamento de esgoto também é uma questão de saúde. Investir em saneamento básico é investir em saúde. A cada R$ 1,00 gasto com tratamento de esgoto, são economizados R$ 4,00 na saúde pública (dados ONU). Evita também a propagação de cerca de 15 doenças, entre elas a cólera, poliomielite, esquistossomose, e outras.

“O problema do saneamento básico é crônico, não há discriminação de classe ou de localidade periférica de bairros, uma vez que, você transita pelas principais ruas do centro da cidade e encontra pontos de esgoto correndo a céu aberto.” Mauro Botelho, sócio da Pantanal Fossas Ecológicas.

Mesmo em meio ao caos do saneamento básico que apresentamos, surgem soluções ecológicas que podem atender desde pequenas residências até grandes comércios. A Pantanal Fossas Ecológicas fornece biodigestores por meio de reatores e filtros anaeróbicos. Todos os produtos obedecem as normas da ABNT.

Mauro Botelho, Pantanal Fossas Ecológicas. Foto: Davi Valle

Mauro Botelho, Pantanal Fossas Ecológicas. Foto: Davi Valle

Conforme o Sr. Mauro Botelho, um dos sócios da empresa, “todo mato-grossense gosta e vive a natureza de alguma forma. É na visita a chácaras e fazendas, a pescaria, e outras atividades junto ao meio ambiente. Desta forma pensamos principalmente na preservação dos rios, porque o esgoto não tratado é despejado nos córregos, indo direto para os rios. No caso de Cuiabá, muito pouco do esgoto coletado é tratado e tudo vai parar no rio Cuiabá que acaba indo contaminar o pantanal, o berçário de peixes. É um lugar que temos muito carinho, assim como, Chapada dos Guimarães, Jaciara, e Alta Floresta. Tantos locais bonitos que temos e precisamos preservar.”

 

As soluções para tratamento de esgoto fornecidas pela empresa são seladas (estancadas) e não permite o vazamento de resíduos que possam contaminar o lençol freático, que na baixada cuiabana é superficial, ou seja, mais próximo a superfície.

O subproduto resultante do tratamento através dos equipamentos da Pantanal Fossas Ecológicas é um húmus liquido que é dispersado em zonas verdes (jardins, pomares, e outros) através de valas de infiltração para fértil-irrigação do solo e raízes.

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Se for comparar a aquisição e instalação de nossos produtos com a construção em alvenaria conforme as exigências da ABNT, a durabilidade é maior e o investimento menor. Explica Mauro Botelho.

O investimento em expansão e aprimoramento da rede de esgoto é uma questão de ampla discussão que envolve diversas frentes, tais como, investimento em obras, separação das redes de esgoto e pluviais, fiscalização das novas obras para que novos erros de ligação não ocorram, educação social-ambiental, e tantas outras. Mas, acima de tudo é preservar a vida! Seja de nossos mananciais ou das pessoas que habitam as cidades.