Medição da árvore, para elaboração do romaneio, em que se levantam dados sobre a árvore e se registra a espécie, tamanho, largura, entre outros.  © WWF-Brasil / Frederico Brandão

Medição da árvore, para elaboração do romaneio, em que se levantam dados sobre a árvore e se registra a espécie, tamanho, largura, entre outros.
© WWF-Brasil / Frederico Brandão

Por WWF-Brasil*

A falta de informações disponíveis e de transparência no mercado de madeira, além da implementação efetiva de políticas públicas que fomentem o setor foram alguns dos principais problemas apontados por representantes da cadeia da madeira, durante o primeiro encontro da Mesa Redonda da Madeira Tropical Sustentável. A iniciativa, organizada e facilitada pela Rede Amigos da Amazônia (RAA), ligada ao Centro de Estudos em Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas, em parceria com o WWF-Brasil e a Traffic, aconteceu neste mês, em São Paulo, e reuniu cerca de 40 atores e operadores do setor, entre produtores florestais, desde cooperativas comunitárias certificadas até empresas certificadas, sindicatos de classe, empresas do setor de construção civil e OnGs.

Lançado em junho, a Mesa Redonda tem como objetivo fortalecer o setor garantindo a formação de um modelo de governança entre todos os atores que influenciam o mercado de madeira tropical sustentável no Brasil. “Esse foi apenas o primeiro passo de uma série que está por vir”, afirma Mauro Armelin, superintendente de conservação do WWF-Brasil. “Acreditamos que esse primeiro encontro teve um impacto muito positivo. O grande mérito foi juntar representantes de todos os elos da cadeia para discutir uma ação articulada que eleve o patamar da cadeia”, avalia.

Corte da madeira, como parte das atividades de manejo florestal, realizada por operários da Cooperfloresta, no estado do Acre.  © WWF-Brasil / Frederico Brandão

Corte da madeira, como parte das atividades de manejo florestal, realizada por operários da Cooperfloresta, no estado do Acre.
© WWF-Brasil / Frederico Brandão

Durante o evento os participantes tiveram a oportunidade de expor os problemas que enfrentam no setor em que atuam, e também apontar soluções. A partir dos “gargalos” levantados, ficou evidente a necessidade de uma reestruturação do setor em que se destacaram problemas como a extração, a fiscalização, o transporte e a tributação da madeira.

A secretária executiva da RAA, Thais Megid, enfatiza que “este foi um importante pontapé inicial de um longo trabalho que trará muitos frutos para o setor”. Segundo ela, como resultado concreto do encontro, foram organizados dois grupos de trabalho: o primeiro para discutir assuntos a respeito de um acordo setorial e o outro para desenvolver propostas de políticas públicas para o setor. “Os grupos trabalharão de forma paralela de forma que um não interfira no trabalho do outro. É deles que se esperam propostas de soluções para os problemas apontados”, explica.

O resultado foi bem recebido pelos participantes. “Este é um grande passo que demos. São pessoas sérias que estão à frente dos grupos, que se importam e querem o melhor para o setor. Vamos trabalhar de forma dinâmica e conseguir mais avanços”, afirma Rafik Saab Filho, executivo do Sindicato do Comércio Atacadista de Madeiras do Estado de São Paulo (Sindimasp).

Superintendente de Conservação do WWF-Brasil Mauro Armelin palestrando no primeiro encontro da Mesa Redonda  © Felipe Santana Rick

Superintendente de Conservação do WWF-Brasil Mauro Armelin palestrando no primeiro encontro da Mesa Redonda
© Felipe Santana Rick

Próximos Encontros

Até novembro deste ano serão realizados outros três encontros para fortalecer ainda mais as propostas sugeridas pelos participantes e aprofundar a estratégia de relação entre empresas, participantes e governo.

A próxima reunião, agendada para setembro, pretende elaborar uma proposta de um pacto setorial e organizar um modelo interno de governança do setor que seja encaminhado para os órgãos do governo federal.

Já os demais encontros serão a oportunidade de diálogo e negociação com os governos estadual e federal sobre os aspectos políticos do setor florestal no país e os cenários e perspectivas de mudanças do mercado da madeira tropical sustentável no Brasil e no exterior. Além disso, serão feitos os encaminhamentos de propostas de viabilização do mercado de madeira tropical sustentável.

Identificação da árvore em campo a partir do plano de manejo.  © WWF-Brasil / Frederico Brandão

Identificação da árvore em campo a partir do plano de manejo.
© WWF-Brasil / Frederico Brandão

Próximo ao terceiro encontro, acontecerá um encontro paralelo, em parceria com o World Resource Institute, com presença de atores internacionais da União Europeia, governo e empresas dos EUA e países da América Latina, a fim de promover a troca de experiências e discutir desafios e oportunidades para a governança e sustentabilidade da madeira tropical no comércio internacional.

Confira a programação completa abaixo:

  • Encontro 2 – Setembro de 2013 (local ainda não definido)
  • Encontro 3 – Outubro de 2013 (Brasília)
  • Encontro 4 – Novembro de 2013 (Fundação Getúlio Vargas – São Paulo)

*Com informações da Rede Amigos da Amazônia (RAA)