Foto: AFP/Singapore Press Holdings

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Por Luís Ribeiro/USP

A Superintendência de Gestão Ambiental (SGA) da USP tem como meta envolver todos os funcionários da Universidade na temática socioambiental. Em graus diferentes de participação, os 17 mil servidores deverão incorporar e institucionalizar “os princípios e práticas sustentáveis na gestão universitária, servindo de exemplo para os estudantes e para a sociedade em geral” por meio do Projeto Pessoas que Aprendem Participando (PAPs).

Gestado sob uma perspectiva emancipadora, o PAPs aproveitou as experiências dos quase 20 anos do programa USP Recicla. A educadora do SGA Daniela Sudan, explica que o PAPs funcionará em forma de rede, num sistema de “capilaridade”. Ela conta que o núcleo inicial, o PAPs 1, passou quase um ano formulando o processo de formação para os sete campi da USP. Dele, participaram cerca de 20 pessoas, incluindo alguns professores especialistas em educação ambiental.

Essa fase inicial também escolheu as lideranças, pessoas que já detinham algum envolvimento e estudos com as questões socioambientais. Os que abraçaram a ideia, cerca de 180, foram convidados a se tornar PAPs 2.

Foi esse novo grupo que participou de um encontro ocorrido no final de 2013, no campus de Pirassununga da USP, que reuniu cerca de 180 funcionários da Universidade. Na ocasião foi possível aprofundar e atualizar conhecimentos na área. O encontro contou com a presença de especialistas como os professores Marcos Sorrentino, da USP Piracicaba; Valquíria Padilha, da USP Ribeirão Preto; Isabel Carvalho, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul; Renato Morgado, da Organização Imaflora, e Antonio Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), além do então superintendente da SGA, o professor e vice-diretor do Instituto de Biociências da USP, Wellington Delitti. Atualmente, a SGA tem como superintendente o professor Marcelo de Andrade Romero, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

Seguindo a lógica ambientalista, “do local para o global e do global ao local”, os PAPs2 foram apresentados, durante o encontro em Pirassununga, às principais questões que enfrentarão com o projeto na universidade, no País e no mundo. Os especialistas debateram desde o problema das compras sustentáveis até o aquecimento global. Este último foi anunciado enfaticamente por Antonio Nobre como “o início de uma nova era geológica — o Antropoceno”. Veja abaixo um vídeo do encontro produzido pela equipe da TV USP Ribeirão Preto.

Os PAPs em ação
Cada PAP 2 deve formar em torno de 30 outros servidores. Essa capacitação envolve programação de nova ação educadora, formando grupos de PAPs 4. Na projeção da SGA, ao final do projeto, em 2015, todos os mais de 17 mil servidores da USP terão sido apresentados ao tema ambiental.

Sobre a metodologia educacional do PAPs, o professor Sorrentino diz que foram inspirados em experiências conhecidas como “grupo de ação participativa” ou ainda “circulo de aprendizagem participativa”. O professor lembra que experiência semelhante é desenvolvida na bacia do Rio da Prata, envolvendo os cinco países da região. “Esses termos expressam o conjunto de intenções que é o de nuclear os servidores da universidade para o diálogo a respeito dos problemas socioambientais que existem naquela comunidade, naquele território no qual eles circulam cotidianamente e a partir dessa compreensão, construir propostas de intervenção, de transformação na direção da sustentabilidade, da emancipação, para expressão de toda a potencialidade humana naquele território.”

Nesse caminho, ainda segundo o professor, há diversas opções consideradas ferramentas pedagógicas, como a “educomunicação”, em que cada educador é um comunicador que visualiza sua dimensão no processo. Cita também a estratégia de transformar os espaços políticos e administrativos da universidade em locais de debate e ação dos temas ambientais para, finalmente, levar o tema a todos os círculos de decisão.

Disseminando práticas e criando cultura
A coordenadora do Projeto, Daniela Sudan, lembra que as ações já existentes deverão ser valorizadas no processo e compartilhadas para disseminação de boas práticas ambientais. Lembra também que os projetos que desenvolverão apresentam desafios: ações desde a hora da compra, de pensar as finanças, dos materiais a ser usados e ainda as maneiras de colaborar com todo o funcionamento da USP.

Desafio ainda maior, segundo Daniela, se apresenta na colocação em prática do conhecimento teórico produzido na USP. Muitas vezes a USP é referência no estudo e pesquisa sobre sustentabilidade, “mas não aproveita o conhecimento que ela mesma gerou”. Ela acredita que os PAPs vão colaborar, “trazendo as potencialidades e desafios locais para articular essas iniciativas e também criar novos projetos num fazer comprometido, engajado em aprimorar a gestão ambiental na universidade”. Daniela completa, afirmando que o sistema de capilaridade dos PAPs não é hierárquico, mas de envolvimento e responsabilidade diferenciados, como uma rede onde cada um tem sua importância.

Os interessados em mais informações sobre o PAPs podem procurar pelos representantes de cada campus: em São Paulo (11) 3091-9191, com Hemiliana e Sueli; Ribeirão Preto (16) 3602-3584, com Daniela; Piracicaba (19) 3429 4051, com Ana de Meira; Pirassununga (19) 3565-4341, com Estela; Bauru (14) 3235-8209, com Simone; e em São Carlos (16) 3373-8802, com Patricia.

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