Foto: Reciclick

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Por Fernanda Drumond/USP

Embora também sejam objeto de estudo da veterinária, ao lado dos animais domésticos e dos ruminantes, os animais silvestres ainda têm pouco espaço na formação dos profissionais da área. Buscando suprir essa lacuna, alunos da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP criaram o Grupo de Estudos sobre Animais Silvestres (GEAS), que conta com a orientação da professora Eliana Reiko Matushima, do Departamento de Patologia da FMVZ.

Segundo os integrantes do grupo, o curso de veterinária possui apenas algumas disciplinas optativas específicas sobre o assunto, e não capacita os alunos a trabalharem com animais selvagens. “Há disciplinas de clínica de animais pequenos e de ruminantes, entretanto, não há nada parecido para animais silvestres”, conta a vice-presidente do GEAS, Marina Rodrigues Freire. A relevância desse estudo é evidenciada pela incidência cada vez maior de animais silvestres em clínicas veterinárias. Provenientes, em geral, de países desenvolvidos, muitos desses animais passam a ser de estimação, o que aumenta a demanda por atendimento.

Além disso, a urbanização faz com que a cidade invada o habitat natural dos bichos, o que resulta em um maior contato humano com essas espécies. “A demanda por veterinário de silvestres tende a aumentar, não só no atendimento propriamente dito, mas também na discussão do que fazer com esses animais, o que deveria ser essencial na graduação hoje, já que conservação é uma política”, afirma Marina. O Grupo não tem registro exato de quando suas atividades começaram. Sabe-se que os professores atuais da veterinária já participavam da iniciativa e que ele deu origem ao atual Laboratório de Patologia Comparada da FMVZ.

GEAS em ação
Com troca anual de gestão, o GEAS é um grupo altamente rotativo e dinâmico. Cada período é gerido por um grupo diferente, podendo haver uma continuidade de participantes, mas não de organizadores. Atualmente, cerca de 25 pessoas participam da organização, um número elevado, levando em consideração que o curso de veterinária conta com, em média, 400 graduandos. É um contingente bastante representativo se comparado com outros grupos organizados por alunos da Universidade. Em 2013, o grupo sofreu uma reestruturação que decidiu o formato de funcionamento hoje praticado. Atualmente, o GEAS é o maior grupo de animais silvestres de São Paulo, atendendo também demandas de outras universidades.

O Grupo organiza suas atividades principais em módulos. Cada módulo acontece durante quatro reuniões mensais, às segundas-feiras, e se encerram com uma atividade prática. Para a presidente do grupo Larissa Caneli, esse é o carro chefe do GEAS. “O sistema de módulos permite uma continuidade de aprendizado”, afirma.

Atualmente, está em curso o módulo de tamanduás. As atividades acontecem em parceria com o Projeto Tamanduá, que busca promover ações que favoreçam a conservação das espécies de xenarthra no Brasil e América Latina. Na parte prática, há a participação do Instituto de Capacitação em Manejo e Medicina Animal (Animália), que viabiliza o acompanhamento de uma atividade de contenção química e medicina preventiva no zoológico de São Bernardo do Campo, no interior do Parque Estoril.

Essa parceria funciona como um sistema de trocas: pela atividade, o GEAS fornecerá inaladores para o zoológico – o valor da doação é dividido entre os participantes. Contudo, todas as palestras são gratuitas e abertas ao público. Aqueles que participam de 75% do módulo recebem certificado e podem participar da atividade prática, que é o grande diferencial dos cursos. As atividades do grupo podem ser acompanhadas pela página do GEAS no Facebook.

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