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A adoção de um preço mínimo, €0.56 por watt, e de um limite para a importação de produtos solares chineses, 7 GW ao ano, dão fim a uma disputa que durou meses

Por Fabiano Ávila/Instituto Carbono Brasil

A semana começou com uma notícia importante para todo o setor de energia solar internacional: finalmente terminou o que foi batizada de guerra comercial solar entre a China e a União Europeia.

Segundo um comunicado do comissário de Comércio Europeu, Karel De Gucht, um acordo foi alcançado e a disputa entre os dois blocos sobre o setor solar, que ameaçava também outras áreas da economia, terminou.

Os detalhes não foram revelados, mas a imprensa europeia está apontando que será adotado um preço mínimo de €0.56 por watt para os produtos solares chineses e uma quantidade máxima anual de importação de 7 GW.

“Depois de semanas de conversas, posso anunciar que estamos satisfeitos com o preço sugerido pelos exportadores de painéis solares chineses, que atende os requisitos da legislação comercial europeia. Esta é a solução amigável que tanto a UE quanto a China queriam”, afirmou De Gucht.

“Estamos confiantes de que o preço mínimo estabilizará o mercado europeu de painéis solares e acabará com o dumping chinês, que prejudicava a indústria europeia”, completou.

O comunicado informa ainda que o acordo seguirá agora para a aprovação da Comissão  Europeia com o aval do comissário de comércio.

Ainda há divergências sobre os detalhes do acordo. Segundo o portal Solar Power, Sun Guangbin, secretário-geral para energia solar e produtos fotovoltaicos da Câmara de Comércio da China, garante que o preço mínimo na verdade será flutuante e determinado por uma fórmula que levará em conta as condições do mercado.

De qualquer forma, parece que a guerra comercial solar, que era a disputa mais relevante na relação entre UE e China, mexendo com um mercado avaliado em €21bilhões em 2012, chegou ao fim.

O conflito começou quando o grupo EU ProSun, que reúne a maioria das companhias solares europeias, pediu pela abertura de uma investigação sobre os produtos solares chineses que estariam praticando dumping – barateamento artificial para retirar concorrentes do mercado – devido a subsídios ilegais dados pelo governo.

Depois de meses analisando a questão, e muitas trocas de acusações, a UE anunciou que taxaria em 11,8% as mercadorias chinesas, valor que subiria para 47,6% agora em agosto.

Em um primeiro momento, os chineses retaliaram ameaçando colocar taxas sobre o vinho europeu, produto importante de exportação da Itália e da França, países que mais apoiaram a criação da taxa solar. Mas, por fim, preferiram negociar e no começo desse mês já existiam sinais de que um acordo estava sendo trabalhado.

O que ainda parece distante é um entendimento no outro front da guerra solar, entre China e Estados Unidos.

Os chineses anunciaram no último dia 19 uma taxa de até 57% sobre produtos solares norte-americanos e de seus aliados na Ásia, os sul-coreanos. Trata-se de uma resposta à decisão dos EUA de impor uma taxa de até 250% sobre as mercadorias chinesas.