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O novo material é uma alternativa viável à produção de couro animal

Por Igor Leal/Arquitetura Sustentável

Atualmente grande parte dos produtos de couro disponíveis no mercado ainda são de origem animal. Sua produção ainda movimenta grandes quantias na economia mundial, sobretudo na indústria da moda. O setor que, no Brasil representa cerca de 14% do mercado de exportação mundial segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), gera diversos impactos nocivos ao ambiente como geração de rejeitos e efluentes líquidos, além da utilização de produtos químicos e do alto consumo de água em seus processos de curtimento.

Contudo, um novo material pode ser um substituto ao modelo atual e pode tornar a tão controversa indústria da moda um pouco menos impactante.

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Via: Ananas Anam

Além de ser cruel, a indústria do couro não consegue produzir material de qualidade. Diz Carmen Hijosa, criadora do Piñatex.

Durante uma consultoria prestada em uma fábrica de couros nas Filipinas nos 90, a designer espanhola Carmen Hijosa se deparou com as condições de fabricação e a baixa qualidade do produto oferecido e decidiu trabalhar em uma alternativa. Observando um modelo de vestimenta tradicional filipino chamado Barong Tagalog, utilizado em cerimônias de casamentos, Carmen percebeu a força e leveza do material feito com as fibras das folhas de abacaxi. O grande “insight” surgiu quando Carmen viu a possibilidade de utilização do material através de uma malha não urdida, ou seja, ligada em conjunto sem a necessidade de tecelagem.

Chamado Pinãtex, o material de origem vegetal é composto por fibras extraídas a partir das folhas de abacaxi antes que sejam cortadas e descartadas para se degradarem no solo. Com uma aparência similar a do couro convencional, o Pinãtex oferece diversas espessuras e pode ser tingido, impresso, além de receber tratamento para atingir diversos tipos de textura.

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Via: Deezen

Via: Trendstop

Via: Trendstop

Nós podemos fazer sapatos, malas, cadeiras e sofás. Até mesmo painéis. Eventualmente, podem ser produzidos como forros para o interior de carros e até mesmo revestimentos. Afirma.

Após passar os últimos cinco anos desenvolvendo seu produto na Royal College of Art, Hijosa já viabilizou a produção de calçados e bolsas de grandes marcas como Puma, Camper e Ally Capellino. Além de oferecer um material de qualidade funcional e estética, o objetivo também era produzir com o mínimo impacto no ambiente. Como a matéria prima principal é um subproduto gerado na produção de abacaxi, não há necessidade de fazer plantio em novas áreas.

Além de menos impactante, o Piñatex oferece um custo mais baixo quando comparado a materiais de origem animal. O produto foi lançado em Londres em 2014 custando 18 libras o metro quadrado enquanto o couro convencional custa de 20 a 30 libras.

“Somos totalmente inovadores. Não estamos substituindo algo, somos uma alternativa. Somos uma alternativa ao couro e uma alternativa para têxteis à base de petróleo, o que é sustentável e tem uma base sociológica e ecológica sólida”, conta a designer.

Para Hijosa, ainda vai levar algum tempo até que o material se torne popular e alcance um grande nicho de mercado. Contudo, grandes indústrias já demonstraram interesse na produção do novo tecido.

Segundo as projeções feitas pela empresa Ananas Ananam, fundada por Hijosa, estima-se que a produção do Piñatex alcançará a marca de 1 milhão de metros quadrados até 2018.

Confira abaixo uma entrevista (em inglês) da criadora do Piñatex.

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