Artaxo defende a construção de hidrelétricas na região amazônica. - Foto: Luiz Gustavo Leme/Flickr

Artaxo defende a construção de hidrelétricas na região amazônica. – Foto: Luiz Gustavo Leme/Flickr

Por Claudia Müller/Ciclovivo

A questão energética está em destaque no Brasil pela maior utilização das termelétricas, pelo baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas, pela incerteza de um apagão, pela diminuição da tarifa para o consumidor e, um assunto que nunca sai de pauta, pelo envolvimento dessas questões com o meio ambiente.

Em meio aos protestos contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte (PA) e aos futuros leilões de geração de energia na região Amazônica – a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) planeja a construção de 34 novas usinas até 2021, sendo 15 na Amazônia Legal –, os debates acerca dos impactos ambientais causados pela construção de grandes empreendimentos energéticos nessa região ganham destaque principalmente pelo perfil da área e por muitos dos seus meandros serem ainda desconhecidos dos cientistas.

A construção de uma hidrelétrica causa a inundação de gigantescas áreas, impactando a população local, que sofrerá com o alagamento dos vilarejos e plantações. Essa consequência é sentida em especial na Amazônia, região majoritariamente plana. Além disso, cerca de 20% da energia gerada pelas hidrelétricas é perdida nas linhas de transmissão, de acordo com a segunda edição do relatório “O Setor Elétrico Brasileiro e a Sustentabilidade no Século 21 – Oportunidades e Desafios”, isso se dá pela grande distância entre esse polo gerador e as maiores regiões de consumo, localizadas no sudeste do país. Soma-se a isso o fato da região Centro-Sul estar ficando saturada de usinas hidrelétricas e a região amazônica ter um grande potencial hídrico, o que a torna um chamariz para novos empreendimentos desse caráter.

Contudo, para se desenvolver o país é preciso de ações que eventualmente acarretam algum dano, mas que se fazem necessárias. “Não existe atividade socioeconômica que não traga riscos, a questão é como minimizar esses efeitos”, alerta o pesquisador do instituto de física da USP e representante do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), Paulo Artaxo.

Artaxo defende a construção de hidrelétricas na região amazônica, já que essa energia é limpa e causa menos impacto do que outras formas, como as termelétricas. No entanto, é preciso realizar um trabalho que minimize os eventuais impactos e respeite as populações locais.

O físico acredita que a escolha da matriz energética brasileira também deve considerar a opinião da população. “Cabe à sociedade decidir o que fazer e então escolher a melhor estratégia”, pondera o pesquisador.

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