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Dilma anuncia o corte de 43% do carbono liberado pelo País até 2030. Índice é considerado ambicioso e ultrapassa as metas do restante da comunidade internacional

Da Redação – Editor: Marco Moreira

O Brasil alavancou o papel de liderança frente à comunidade internacional com a apresentação de novo compromisso para frear o aquecimento global. Em cúpula das Nações Unidas realizada neste domingo (28/09), em Nova York, a presidenta Dilma Rousseff anunciou que o País vai reduzir 43% das emissões de gases de efeito estufa até 2030. O compromisso inclui a redução de 37% até 2025. Ambas as metas são comparadas aos níveis registrados em 2005.

Os números integram a Contribuição Nacionalmente Determinada (iNDC, na sigla em inglês) do Brasil para o futuro acordo climático que será negociado e aprovado no fim do ano, em Paris. Até lá, todos os países signatários da Convenção de Clima da ONU precisarão ter apresentado as próprias iNDC, que oficializam o comprometimento de cada governo com ações capazes de limitar o aumento da temperatura média global a até 2°C.

POLÍTICAS AMBIENTAIS

Para alcançar esse patamar, o governo federal adotará políticas ambientais em diversas áreas. Na matriz energética, o Brasil pretende assegurar 45% de fontes renováveis, incluindo as hidrelétricas, enquanto a média global é de apenas 13%. No setor de uso da terra, a previsão é restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de vegetação em território nacional, além de acabar com o desmatamento ilegal.

A presidenta destacou, em plenária das Nações Unidas, que o anúncio representa o engajamento do país no combate às mudanças climáticas. “O Brasil é um dos poucos países em desenvolvimento a assumir uma meta absoluta de redução de emissões”, declarou. “Temos uma das maiores populações e PIB do mundo e nossas metas são tão ou mais ambiciosas que aquelas dos países desenvolvidos.”

O compromisso assumido representa novo caminho, que se somará às ações já desenvolvidas até agora em território nacional. De acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o País está focado no futuro. “Há enormes desafios, mas o Brasil não se apequenou”, afirmou. “Chegaremos em 2030 com uma população em crescimento, mas também com capacidade de desenvolvimento e redução das emissões.”?

APROVAÇÃO

A comunidade científica e instituições ambientais reiteraram a robustez da proposta apresentada pelo governo brasileiro às Nações Unidas. Em nota, o Observatório do Clima afirmou que o País “é a primeira grande economia emergente a adotar uma meta absoluta para toda a economia” e que “a escala de ambição é mais alta do que a da maioria das INDCs apresentadas até aqui,”

Atualmente, o Brasil já atingiu grande parte da meta anterior de reduzir entre 36,1% e 38,9% das emissões de gases de efeito estufa até 2020. Em 2012, as emissões nacionais caíram 41% em relação ao índice registrado 2005, resultado do combate ao desmatamento e de outras ações previstas pela Política Nacional de Mudança do Clima.

SAIBA MAIS
Apesar de considerado natural, o efeito estufa tem aumentado nas últimas décadas e gerado as mudanças do clima. Essas alterações são fruto do aumento descontrolado das emissões de substâncias como o dióxido de carbono e o metano. A liberação desses gases na atmosfera ocorre por conta de diversas atividades humanas, entre elas o transporte, o desmatamento, a agricultura, a pecuária e a geração e o consumo de energia.

Com o objetivo conter os prejuízos, representantes de mais de 190 países reúnem-se, todos os anos, na Conferência das Partes (COP) da Convenção de Clima da ONU para elaborar propostas para frear o aquecimento global. Nesse âmbito, o Brasil assumiu voluntariamente metas de redução de emissões para serem atingidas até 2020, quando começará a valer o novo acordo que as Partes pretendem assinar no fim deste ano, na COP 21, em Paris.

Para esse novo acordo, os países signatários têm de apresentar suas INDCs, com metas próprias de redução de emissões e ações para aumentar a resiliência e reduzir os riscos associados aos efeitos negativos das mudanças do clima. Somadas, as INDCs de cada país devem ser capazes de limitar o aumento da temperatura média global a até 2°C.