A expedição geológica Iatá-Piuna confirmou a existência de um "continente perdido" no Atlântico Sul, a 1500 quilômetros de distância do litoral Sudeste do Brasil. A "Atlântida brasileira" se desprendeu da plataforma continental e afundou no mar com o movimento das placas tectônicas, segundo pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil. A conclusão foi feita após o submergível japonês Shinkai 6500 encontrar granito (material associado aos continentes e que é menos denso do que as rochas do fundo do mar) na Elevação do Alto Rio Grande (detalhe à esquerda)

A expedição geológica Iatá-Piuna confirmou a existência de um “continente perdido” no Atlântico Sul, a 1500 quilômetros de distância do litoral Sudeste do Brasil. A “Atlântida brasileira” se desprendeu da plataforma continental e afundou no mar com o movimento das placas tectônicas, segundo pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil. A conclusão foi feita após o submergível japonês Shinkai 6500 encontrar granito (material associado aos continentes e que é menos denso do que as rochas do fundo do mar) na Elevação do Alto Rio Grande (detalhe à esquerda)

Amostras de granito foram encontradas nas profundezas do Atlântico. Cientistas já apelidaram área de ‘Atlântida brasileira’.

Por Eduardo Carvalho/G1

mapa_atlantidabrasileiraGeólogos brasileiros anunciaram nesta segunda-feira (6) que foram encontrados, a 1.500 km da costa do Rio de Janeiro, indícios de que estaria ali um pedaço de continente que submergiu durante a separação da África e da América do Sul, época em que surgiu o Oceano Atlântico.

De acordo com Roberto Ventura Santos, diretor de geologia de recursos minerais do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), há dois anos, durante um serviço de dragagem (retirada de solo oceânico para análise) na região do Elevação do Rio Grande — uma cordilheira marítima em águas brasileiras e internacionais — foram encontradas amostras de granito, rocha considerada continental.

Ele explica que, inicialmente, levantou-se a hipótese de que o recolhimento de tais amostras fora engano ou acidente. No entanto, no último mês, uma expedição com cientistas do Brasil e Japão, a bordo do equipamento submersível Shinkai 6.500, observou a formação geológica que está em frente à costa brasileira e, a partir de uma análise, passou a considerar que a região pode conter um pedaço de continente que ficou perdido no mar por milhões de anos.

“Pode ser a ‘Atlântida’ do Brasil. Estamos perto de ter certeza, mas precisamos fortalecer essa hipótese. A certificação final deve ocorrer ainda este ano, quando vamos fazer perfurações na região para encontrar mais amostras”, explicou Ventura ao G1.

O diretor do CPRM não especificou a idade dessas rochas, no entanto, contou que os pedaços de crosta continental que foram encontrados são mais antigos que as rochas encontradas no assoalho oceânico, nome dado à superfície da Terra que fica abaixo do nível das águas do mar.

De acordo com Ventura, o próximo passo será enviar ao governo brasileiro uma solicitação para que o país reclame a área, que está em águas internacionais, junto à Autoridade Internacional de Fundos Marítimos (ISBA, na sigla em inglês), organismo ligado à Organização das Nações Unidas, para que seja realizada no local prospecção de recursos minerais e estudos relacionados ao meio ambiente.

Rochas encontradas durante expedição geológica à Elevação do Rio Grande, na costa brasileira (Foto: Divulgação/CPRM)

Rochas encontradas durante expedição geológica à Elevação do Rio Grande, na costa brasileira (Foto: Divulgação/CPRM)

Pesquisador segura rocha com minério de ferro encontrada durante dragagem feita no ano passado, na região da Elevação do Rio Grande, na costa brasileira (Foto: Divulgação/CPRM)

Pesquisador segura rocha com minério de ferro encontrada durante dragagem feita no ano passado, na região da Elevação do Rio Grande, na costa brasileira (Foto: Divulgação/CPRM)