THIAGO ITACARAMBY/ECOPENSAR

A rodovia Emanuel Pinheiro (MT-251), que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães (60 km da capital), tem se transformado em corredor da morte para animais silvestres. O trecho conta com uma imensa fauna silvestre e não possui nenhum tipo de infraestrutura para evitar acidentes envolvendo os animais, além do risco aos ocupantes dos veículos. O descaso do poder público tem contribuído para o desequilíbrio ambiental, impulsionado pelo avanço da agricultura no cerrado brasileiro.

Em determinadas regiões do país, as estradas são fiscalizadas, possuem sinalização especial, cercas em áreas críticas de mortandade de animais, passagens de animais sinalizadas, redutores de velocidade, radares e sonorizadores. Tudo isso para monitorar o fluxo dos animais, há casos em que são instaladas armadilhas fotográficas para ser feita a identificação de pegadas.

O responsável pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra o Parque Nacional de Chapada dos Guimaraes, Cecílio Vilabarde Pinheiro, informou que é comum o atropelamento de animais na rodovia. Ele comentou que os acidentes ocorrem nas proximidades de córregos e rios. Ele, que passa pelo trecho Cuiabá / Chapada dos Guimarães, pelo menos duas vezes ao dia, disse acompanhar de perto as ocorrências. Estimativas extraoficiais dão conta de que pelo menos 5 animais silvestres são atropelados diariamente na rodovia. As espécies mais afetadas são tamanduá-mirim, lobinho (lobo guará) e anta.

Segundo informações do responsável pelo Parque Nacional da Chapada, as espécies mais ameaçadas são: tamanduá-mirim, lobinho (lobo guará) e anta. Ele informou que no ano passado, pelo menos três antas foram mortas na rodovia estadual. Sobre a fiscalização dos agentes ele disse ser esporádica e não suficiente para atender toda a demanda.

A Secretaria do Estado de Meio Ambiente (Sema) informou que é feita uma fiscalização geral, mas não possui nenhum tipo de controle. Outro problema é a falta de infraestrutura nas rodovias estaduais, pois nesse tipo de trecho, quase não há a presença de placas educativas sobre a presença de animais na pista, mesmo sendo considerada uma estrada parque.

IMPRUDÊNCIA

Apesar dos problemas com a sinalização e a infraestrutura para evitar os atropelamentos de animais, não se deve atenuar a responsabilidade dos motoristas. É fato que os brasileiros não respeitam os limites de velocidade e as leis de trânsito, tanto que o Brasil é um dos países com maior número de acidentes – seja nas vias urbanas ou nas estradas.

DEFESA

A Promotoria de Defesa do Meio Ambiente Natural informou que tem exigido do governo, por meio da Secretaria de Transporte e Pavimentação Urbana (Septu), a instalação de placas educativas sobre a presença de animais silvestres na pista.

De acordo com a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, há denúncias de moradores e usuários da pista sobre a matança de animais na MT-251. A Promotoria informou que está acompanhando o processo, mas não soube detalhar com precisão as estatísticas das mortes. Em relação às vistorias das placas, a Promotoria garantiu que após conclusão das obras (prevista para outubro desse ano) fará a fiscalização in loco.

About The Author

Thiago Itacaramby é jornalista diplomado e especialista em Marketing. Possui experiências profissionais nos setores público e privado. Atua em órgãos não governamentais ligados ao meio ambiente e possui conhecimentos na elaboração de projetos. Estudante de Gestão Ambiental no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT).

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