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Por Gabriel Faria/Embrapa

A Embrapa Agrossilvipastoril vem realizando há cinco anos processos de capacitação continuada de agentes de assistência técnica e extensão rural focados nas principais cadeias produtivas da agricultura familiar em Mato Grosso.

Os cursos contam com dois ou três módulos anuais e buscam capacitar de forma contínua os profissionais que multiplicam o conhecimento levando-o até os produtores do estado.

Entre os participantes estão extensionistas da Empaer, de prefeituras, cooperativas, associações, organizações não governamentais, Senar e também alguns consultores da inciativa provada. Além de acompanhar os módulos da capacitação, cada um deles tem a tarefa de montar e conduzir ao menos uma Unidade de Referência Tecnológica na região em que atua. Esta URT, montada em uma propriedade representativa do local é usada para testar o conhecimento adquirido e para passa-lo adiante por meio de dias de campo, visitas técnicas e outras atividades.

Atualmente a Embrapa coordena capacitações sobre apicultura, fruticultura, pecuária leiteira, pecuária de corte, mandiocultura, sistemas agroflorestais (SAF), olericultura e piscicultura.

Até o ano passado foram realizados 78 módulos nas capacitações continuadas das cadeias produtivas com a participação efetiva de cerca de 250 técnicos.

Para o desenvolvimento desse trabalho a Embrapa Agrossilvipastoril conta com a parceria da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf).

“Os parceiros no processo capacitação, sempre foram fundamentais, eles vieram ao longo dos anos, com amadurecimento, se tornando mais protagonista. A Seaf e a Empaer participavam antes do processo , mas agora, a partir de 2015, eles passaram a assumir a indicação dos técnicos, considerando as regiões de origens deles e a relevância das cadeias produtivas”, explica o chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agrossilvipastoril, Flávio Fernandes Júnior.

Além da seleção de técnicos, os parceiros também colaboraram com recursos financeiros, custando o deslocamento, a hospedagem e alimentação dos participantes dos módulos, que em sua maioria são realizados na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop.

Reflexo no campo

Até o momento ainda não foi possível fazer uma avaliação definitiva dos resultados desse processo de capacitação continuada de técnicos. Porém, uma ação da Empaer em fase de implantação irá contribuir para essa avaliação. A empresa começou a trabalhar com uma ficha eletrônica de atendimento que irá gerar informações de forma direta sobre a efetiva chegada do conhecimento adquirido pelos técnicos aos produtores no campo.

Apesar da ausência de um resultado quantificado, os benefícios das capacitações podem ser observados no trabalho de técnicos que participam das capacitações. Um exemplo é o técnico Robson Lobo, de Brasnorte (MT). Ele participa da capacitação continuada da cadeia produtiva do leite há quatro anos.

“As capacitações têm sido fundamentais, têm proporcionado um grande conhecimento. Ela possibilitou a implantação da nossa URT e fizemos vários Dias de Campo voltados para pecuária de leite. Estamos procurando produtores rurais aqui com intuito de passar essa tecnologia pra frente, fazer com que eles obtenham esse conhecimento. Para mim tem sido fundamental, não tem palavras para agradecer tudo que aprendi”, afirma o técnico.

Agricultura familiar

Apesar de ser conhecido pelas grandes fazendas, com lavouras de milhares de hectares e pastagens extensas, o estado de Mato Grosso tem um grande contingente de pequenos agricultores que dependem da assistência técnica oficial para produzir.

De acordo com dados da Empaer (2009), dos 188.560 estabelecimentos agrícolas do estado, 140.201 pertencem a pequenos produtores, o que representa quase 75% do total. Destes, 90.046 são assentados da Reforma Agrária, que em sua maioria não são agricultores tradicionais e precisam de apoio técnico para desenvolver as atividades agropecuárias.