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Série de imagens registradas pela artista Rachel Sussman mostra aqueles que têm 2 mil anos ou mais

Por Claudia Borges/Megacurioso

Você sabe qual o organismo vivo mais velho do mundo? Ao longo da última década, a artista Rachel Sussman pesquisou muito sobre o assunto e conseguiu descobrir muitos deles. Ela trabalhou com biólogos, viajando o mundo para fotografar aqueles organismos que têm 2 mil anos de idade ou mais.  

Em quase sua totalidade, esses organismos vivos mais antigos existentes na Terra são árvores, musgos e outras variadas vegetações, com exceção de algumas formações fossilizadas que formam recifes na beira de algumas praias, os estromatólitos. 

http://vimeo.com/90498615

Abrangendo desde a gélida Antártida até a Groenlândia, do deserto de Mojave, na Califórnia, até o Outback australiano, o resultado é uma coleção visual deslumbrante de organismos antigos, que a artista reuniu em um livro chamado “The Oldest Living Things in the World” (As coisas vivas mais antigas do mundo).

Estes sobreviventes antigos resistiram milênios em alguns dos ambientes mais extremos do mundo, mas as mudanças climáticas e a invasão humana podem colocar muitos deles em perigo. Confira alguns dos registros abaixo.

1 – Llareta – Deserto do Atacama – Chile

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Essas plantas, chamadas llareta, têm mais de 3 mil anos de idade cada uma. Elas estão localizadas no . Essa vegetação incomum e muito bonita pode ser encontrada por toda a Cordilheira dos Andes, no Peru, Bolívia, Chile e Argentina.

Seu aspecto de musgo é formado por milhares de brotos em hastes longas que ficam tão densamente juntas que podem suportar o peso de um ser humano.

“Quando eu vi o llareta pela primeira vez, eu reconheci imediatamente a partir das fotos que eu já tinha visto. Muitos deles pontilhavam a encosta, e alguns eram formados de uma aparência mais estranha que a de outros”, disse a artista.

2 – Welwitschia mirabilis – Namíbia

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Esse que parece um emaranhado de plantas é um arbusto muito antigo chamado Welwitschia mirabilise fica no deserto de Naukluft, na Namíbia. São vários existentes por lá, provavelmente com tempo de vida um pouco variado, mas esse que Rachel Sussman fotografou tem uma idade estimada de 2 mil anos de idade.

“Os welwitschias são estranhos e únicos. Surpreendentemente, eles são parte da família das coníferas e vivem apenas no clima muito específico ao longo da costa da Namíbia e Angola, onde as névoas do litoral e do deserto se encontram”, explicou a artista ao New Scientist.

Para capturar a umidade do mar, a welwitschia, evoluiu com folhas especiais. Estas folhas tornam-se esfarrapadas e desgastadas com o tempo, ganhando ainda a descrição de ser como uma “planta-polvo”. Além disso, ela tem raízes longas que capturam águas profundas no subsolo e ancoram a planta, evitando que ela seja arrancada pelos ventos do deserto.

3 – Yucca de Mojave – Califórnia

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A vegetação na imagem que você vê acima pode parecer um amontoado de várias plantas diferentes, mas cada “anel” é na verdade um único organismo. Este é o Mojave Yucca (Yucca schidigera), uma planta que se clona enviando rizomas subterrâneos que brotam em talos geneticamente idênticos.

Cada anel, que pode ter até seis metros de diâmetro, se forma como talos velhos no centro. Este espécime em particular tem provavelmente mais de 12 mil anos, segundo estimaram os biólogos que trabalharam com Sussman. Enquanto a maioria dos anéis contém cerca de cinco caules, as plantas mais velhas podem ter 10 ou mais caules.

Também conhecido como o punhal espanhol, o Mojave Yucca é encontrado apenas no deserto de Mojave, na Califórnia, Estados Unidos. Ele cresce a uma taxa de apenas um centímetro por ano.

4 – Pinheiro Bristlecone

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Alguns dos pinheiros Bristlecone encontrados nas Montanhas Brancas da Califórnia têm mais de 4.500 anos de idade. Esse espécime registrado pela artista, e conhecido como The Old Man (o velho homem), tem 4.676 anos.

Os pinheiros Bristlecone recebem pouquíssima água e nutrição durante todo o ano: a precipitação média anual no local é inferior a 30 centímetros, e as árvores se fixam em dolomita, uma forma de calcário que contém alguns nutrientes.

Para sobreviver nesta “dieta” escassa, essas árvores investem pouca energia em crescimento. Como resultado, elas são pequenas, apesar de sua extensa idade — o mais alto Bristlecone tem apenas 18 metros de altura. “Ela desliga todos os seus processos não essenciais e parece morta na maioria dos casos, talvez com apenas um ramo que parece estar vivo”, disse a artista.

5 – Grama Posidonia oceanica

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Há 100 mil anos, a grama Posidonia oceanica foi a primeira a criar raízes nos mares do Mediterrâneo, ao mesmo tempo em que alguns dos nossos mais antigos ancestrais estavam começando a criar pigmentos para pinturas na África do Sul. Esses exemplares mais antigos vivem entre as ilhas de Ibiza e Formentera, sendo protegidos pela UNESCO.

Ela pode ser encontrada em profundidades de 1 a 35 metros, sendo composta por rizomas subssuperficiais e raízes que estabilizam a planta, enquanto rizomas eretos e folhas reduzem o acúmulo de lodo. Este arranjo acaba formando um belo e verde tapete. Ela também recebe o nome de Grama de Netuno.

6 – Banco de musgo da Antártica

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Este banco de musgo de 5.500 anos de idade vive perto do local onde a Expedição de Shackleton foi abandonada há 100 anos na Ilha Elefante, na Antártica. 

7 – Estromatólitos da Austrália

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Ocupando a área biológica e geológica, os estromatólitos são organismos que estão ligados à oxigenação do planeta, surgindo há 3,5 bilhões de anos e preparando o terreno para o resto da vida na Terra. Função mais do que nobre!

Eles também podem ser definidos como rochas fossilizadas formadas por atividades de micro-organismos (cianobactérias) e que compõem um visual parecido com recifes nas águas rasas. São formados também por carbonatos, como a calcita e dolomita, e estão localizados em Strelley Pool, na Austrália.

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* A grande árvore da foto de destaque é um baobá localizado na província de Limpopo, na África do Sul, e tem uma idade estimada de 2 mil anos.