Por Victoria Bembibre/Animal Planet

Não é novidade que algumas das espécies mais emblemáticas do planeta estão ameaçadas de extinção, um risco que cresce exponencialmente a cada ano. Algumas delas sofrem com uma combinação de fatores, que incluem a mudança climática, a redução de seu habitat, a caça indiscriminada e o desaparecimento de espécies que lhes servem de alimento.

Isso acontece sobretudo no continente africano, onde o atraso no desenvolvimento social, econômico e cultural, longe de preservar o meio ambiente e as espécies características da região, contribui para agravar o extermínio da fauna selvagem.

No entanto, cada vez mais iniciativas de conservação na África se dedicam a pesquisar, proteger e fomentar a reprodução de espécies populares e ameaçadas. Conheça abaixo três programas que buscam mitigar a crise ambiental no continente africano.

O elefante

Somente nos últimos dez dias, mais de 26 elefantes foram assassinados no Parque Nacional Dzanga Ndoki, na África Central. Eles são visados pelo marfim das presas, vendidos por alto preço no mercado negro.

Embora o número pareça alto, hoje restam no mundo menos de 500 mil elefantes. Segundo dados do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), mais de 10 mil são abatidos a cada ano pelo marfim.

Hoje, os elefantes-africanos não são vítimas apenas dos caçadores de marfim: seu habitat está diminuindo em muitas regiões do continente e sua carne também serve de alimento.

A WWF concentra-se em quatro eixos de ação para preservar o maior mamífero do planeta: educar os moradores próximos a seu habitat para reduzir conflitos, fortalecer o combate à caça por meio da criação de zonas protegidas e monitoradas, combater o tráfico ilegal de marfim e proteger seu habitat, em parceria com governos e instituições locais.

(Imagem: WWF/Divulgação)

(Imagem: WWF/Divulgação)

O rinoceronte

Há poucos dias, no Zoológico Taronga Western Plains, na Austrália, a fêmea Mopani deu à luz um bebê rinoceronte depois de uma gestação de 18 meses. Apesar de ter acontecido em outro continente, seu nascimento integra os esforços globais de conservação do rinoceronte africano.

No último ano, mais de 300 rinocerontes foram assassinados no planeta. No atual ritmo, os especialistas calculam que nenhuma espécie nascerá em estado selvagem em 2015.

Os rinocerontes são muito visados pelo valor de seus chifres, que contêm substâncias com propriedades supostamente medicinais, cuja eficácia carece de comprovação científica.

Segundo a International Rhino Foundation, mais de dois mil rinocerontes africanos foram massacrados desde 2006, o que contribuiu para a maior queda da população em décadas. De fato, segundo o levantamento da população de rinocerontes realizado pela organização, espécies como o rinoceronte-de-java estão reduzidas a 30 ou 40 indivíduos em todo o planeta.

A IRF combate a caça ilegal com programas específicos para cada espécie de rinoceronte. Seu trabalho consiste em localizar e acompanhar os espécimes (sobretudo os que vivem isolados em parques nacionais da África), desativar armadilhas e sistemas de caça furtiva.

(Taronga Zoo/Divulgação)

(Taronga Zoo/Divulgação)

O guepardo

Durante os últimos quatro anos, o guepardo entrou para o rol das espécies em perigo de extinção, segundo o Programa de Meio Ambiente da ONU.

Ser o animal mais rápido do planeta – alcançando velocidades de até 120 quilômetros por hora – não garantiu sua sobrevivência durante o século passado, quando sua população sofreu uma queda de 90%. Menos de 10 mil exemplares adultos vivem hoje na África, habitat quase exclusivo desse felino.

As maiores ameaças à espécie são a perda do habitat e a caça preventiva em diversas regiões do continente, onde muitas vezes é considerado um perigo para os animais domésticos e o gado.

O Cheetah Conservation Fund trabalha ativamente em países como Namíbia para monitorar e preservar a população reminiscente. Uma de suas iniciativas mais bem-sucedidas é o Programa de Cães de Guarda, que fomenta o adestramento de cães domésticos para cuidar do gado, e consequentemente, proteger os guepardos da caça preventiva.

(Cheetah Conservation Fund/Divulgação)

(Cheetah Conservation Fund/Divulgação)